SÓ PRA TROCAR FIGURINHAS, TAREFINHAS, HISTORINHAS...

Dia desses, numa aula, aproveitei uma música que os alunos estavam cantando pelos corredores em tom de galhorfa. Era quase carnaval e a música buscava ritmo através de três diminutivos (bicicletinha, sainha e calcinha... ou coisa parecida, não lembro bem). A aula era sobre as concepções sociais, políticas, filosóficas etc, que se escondiam por trás daquilo que lemos e vemos em nosso cotidiano. Que concepções estariam subjacentes às músicas que cantamos? Que concepções propagamos, através dessas músicas, sem nem perceber?
E aí aconteceu a ideia. Por que não aproveitar essas CONVERSAS DE CORREDOR, num blog, para troca de figurinhas? Talvez seja interessante reproduzir aqui algumas das curiosas (e fazendo uso do ritmo à lá 'inha') historinhas que nós professores vivenciamos pelos corredores das escolas onde trabalhamos... Taí, então, vamos ver no que dá.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

CASA É COISA COMPLICADA

Casa é coisa complicada

Casar também, eu sei, mas o desejo hoje é falar do substantivo mesmo. Casa. A Casa. E com C maiúsculo. Alguns já sabem que acabei de me mudar. Depois de quase 10 anos morando próximo da praia, mas longe do trabalho (e bem longe), optei por morar longe da praia e perto do trabalho.
Minha casa ficou longe de mim... às vezes o sentimento é esse. Estou tendo que me adaptar ao novo ambiente. O bairro não é ruim, é diferente do que estou habituada.
Agora, EU sou a estranha. Não conheço o nome dos vizinhos, o que fazem, se têm filhos. Não sei onde fica a padaria que tem o melhor pão, a farmácia mais barata, o restaurante onde a comida realmente é caseira...
Não conheço ninguém na academia, no salão (não sei de quem estão falando mal, é horrível, nem porquê, o que é pior?). O apartamento, também, ainda não tem meu cheiro... Sabe quando a gente se reconhece em cada pedacinho de parede? As cores, as texturas, onde estão as chaves, onde se coloca a bolsa, tudo, tudo...? Pois é, eu não sei. Ainda não tem lugar certo para nada e nada tem aquele cheiro de lugar conhecido. Será que demora pra tudo voltar a ter o mesmo gosto de casa? Será que volta a ter?
Não que eu queira reclamar do novo apartamento, sabe. Não quero.
...Mas a sensação de estranha no próprio ninho é de incomodar.

domingo, 24 de janeiro de 2010

TROCANDO IDEIAS, mesmo sem acento

Tem gente que não sabe, mas professor não sabe de tudo.
Durante um tempo disseminou-se a ideia de que os professores sabiam responder qualquer questão (denotativamente ou conotativamente, de prova ou do cotidiano). Acho que naquela época, eles deviam sofrer bastante, tendo que fingir o tempo todo. A sociedade pensava que 'bom' professor era aquele que sabia tudo, a quantidade de conhecimento que tinha (ou que fingia ter) é que era importante.
Hoje, graças a Deus, nós professores podemos dizer 'sem medo' que não sabemos tudo, mas nos esforçamos muito para saber bastante e aprender sempre. Apesar do salário, e do corre-corre, e do preço de livros e das mensalidades de cursos de capacitação, e da dificuldade de se fazer (depois de já se estar no mercado-de-trabalho) um mestrado ou doutorado em universidade pública...
Mas ainda há resquícios daquela forma de pensar nos atos de alguns pais e de alguns alunos hoje. Por exemplo, qualquer um pode errar a grafia de uma palavra. Professor, não. Seu texto precisa ser perfeito. Mesmo aqueles extremamente 'informais', que servem de desabafo. Professor não pode 'errar'. A pressão é tão grande que revisamos 'trocentas' vezes antes de divulgar. Outro resquício visível e sofrível, principalmente para os professores de português, é perceber que as pessoas, no meio de um bom papo, começam a gaguejar ou 'medir as palavras' quando descobrem sua profissão. Os discursos começam a ficar tão artificiais, que eu (por exemplo) perco até a vontade de continuar a conversa. Acredite, até o melhor professor de português não estará preocupado em catar erros na fala de ninguém durante uma conversa. Não trabalhamos em tempo integral. Professor é uma profissão, não uma anomalia genética.
Tão mais fácil que aceitássemos que professor é, apenas, alguém que gosta de estudar, que acredita nas certezas e dúvidas trazidas pelo conhecimento, que tem por objetivo levar outros a também descobrir o prazer de (se) descobrir. Tão importante encontrar colegas com quem pudéssemos compartilhar o ônus e o bônus da nossa profissão, sem competição.
Tão bom que pudéssemos ser vistos apenas como pessoas, ao menos às vezes.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

PARAFRASEANDO ALGUÉM

 Sabe aquelas paixões adolescentes, dominadas por hormônios de todas as qualidades? Aquelas paixões para as quais o mundo não é importante, nem as obrigações existem e as barreiras, mesmo as mais altas são facilmente superadas? As paixões adolescentes não são racionalizáveis. Não se mede o perigo de se entregar a alguém SEM MODERAÇÃO. Não se pensa nas multas do depois. Pensa-se, apenas, na adrenalina, no prazer corpóreo que um simples beijo acarreta. Os tremores, os calafrios, o telefone que não toca... o telefone quando toca e provoca um tsunami de emoções. Ai, Ai... não sei bem o motivo que me levou a isso, mas lembrei daqueles tempos e, parafraseando provavelmente um "autor desconhecido" de um dos muitos livros que leio, rabisquei um poeminha. Bom proveito.

(In)coerências de Amor


Peguei a bolsa dentro da chave;
Abri a escada e subi a porta;
Acendi a janela e corri para o abajur;
Olhei, no carro, a rua que se ia;
Tirei os dentes e escovei os sapatos;
Pus a lâmpada e apaguei o pijama;
Fechei a boca, sentindo teu gosto nos olhos...
pela primeira vez... você me beijou.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

RECESSO ESCOLAR

Muita gente acha que durante os meses de dezembro e janeiro PROFESSORA fica de férias.
Isso me dá uma revolta danada. Os comentários acerca desse mito são sempre desagradáveis e injustos. "Moleza em tia", "Queria eu ter dois meses de férias", "Vida boa hem...".
Se você é desses (ou dessas) fique sabendo que durante esses meses, nós professores não nos desligamos completamente da escola. Fiquemos à disposição para diversas tarefas como: elaborar provas para alunos não aprovados por média, e para alunos novatos também, planejamento, planos de aula, reciclagem de fichas e materiais de aula, estudo - atualização de conteúdos... Não é exagero dizer que é uma das épocas mais produtivas e, consequentemente, de mais trabalho para nossa profissão.
Então, a próxima vez que encontrar (mesmo que virtualmente) com seu professor, tenha bom senso. Pergunte sobre o tempo, os últimos acontecimentos, a programação cultural da sua cidade... e esqueça a palavra FÉRIAS.
Obrigada.